Bryan Adams faz público rebolar

Dez anos depois, cantor se apresenta no Brasil para desfilar seus hits de FM

Bryan Adams é o astro do pop rock romântico que você respeita! Na noite de estreia em São Paulo do primeiro dos três shows da Get up Tour! na cidade, ele fez a plateia com assentos marcados no Citibank Hall ficar toda de pé num show de quase duas horas com seus maiores sucessos. Era a noite da última sexta-feira, data em que foi marcada a greve geral. Se por um lado o dia teve divisão de humores e opiniões, na noite havia pelo menos uma unanimidade: todo mundo ali aderiu ao show e até com direito a uma reboladinha, sob o comando do cantor: “Shake your butt” (“rebolem a bunda”). Ele mesmo virou de costas para a plateia e deu o exemplo!

Aos 57 anos, o cantor, compositor e grande arranjador está em plena forma, que inclui voz, performance de palco e música. Tem uma banda toda alinhada e uma química incrível no palco com o seu guitarrista-solo de sempre, Keith Scott. De quebra, Adams demonstra uma simpatia ímpar com o público, fazendo fotos, brincadeiras com a plateia, sempre a bordo de sua guitarra-base ou do violão elétrico.

O concerto é um desfile dos hits, com um par de canções que ele apresenta como novas. O setlist já rolava a todo vapor quando Adams avisou que iria, sim, cantar muitas músicas, ou pelo menos as que ele pudesse se lembrar, porque afinal foram 13 álbuns gravados.

E daí veio uma disparada de hits direto dos anos 80 aos 2000, num espetáculo com um telão HD ao fundo que mesclava os melhores videoclipes de sua carreira a algumas projeções ao vivo captadas do palco e plateia. Grandes momentos se alternaram, como nas execuções de “Heaven” com um céu estrelado ao fundo, ou a quase épica “Summer of 69”, com seus versos “those were the best days of my life” (aqueles foram os melhores anos de minha vida).

O auge do show é quando vem a memorável “Have You Ever Really Loved A Woman”, celebrizada tanto por ter sido trilha de cinema (Don Juan de Marco, de 1994) como por  ter sido gravada com o dedilhar de ninguém menos que Paco de Lucia.

Teve ainda “Cuts Like A Knife” e a apoteótica “18 ‘Till I Die”.

Bryan Adams cinquentão mantém a pinta do rapaz que toda moça apresentaria para os pais: cabelo alinhadinho com gel e sem um fio fora do lugar, de blazer, camisa branca por baixo. Os demais quatro companheiros de palco seguiram o mesmo figurino. Quem tem menos de 30 anos provavelmente nunca encontrou uma turma assim junta em nenhuma festa. Mas era o figurino comum desde os anos 80 ao fim dos 90.  

Como não respeitar um cantor de pop rock romântico que traz canções cujos nomes são versos completos, como “The Only Thing That Looks Good On Me Is You” (“a única coisa que fica bem é mim é você”)? Foi com essa música que o show terminou, para vir  na sequência um bis de quatro hits dançantes, e todo mundo acabar de pé. E  gritando, como ele mesmo tirou onda ao microfone: “Vocês, brasileiros, me chamam de ‘Brai Adam’.  Hi ‘Brai Adam’”!

Público de fãs é eclético


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